Mulheres
A fotografia tem sido, historicamente, um veículo poderoso na construção e difusão de padrões de beleza, comportamento e feminilidade. Ao longo das gerações, esses registros visuais contribuíram para naturalizar determinadas expectativas sobre o que significa “ser mulher”, consolidando imaginários que moldam identidades.

Por meio de rasgos, colagens e costuras, fragmentos de imagens são reorganizados para refletir sobre como a identidade feminina é construída a partir de representações, histórias familiares e heranças culturais. Ao preservar e reorganizar essas imagens, o trabalho também questiona como certos valores são transmitidos — entre eles, a persistente exigência social de que as mulheres estejam sempre belas, cuidadoras e disponíveis.

As obras também dialogam com a memória doméstica. Elementos cotidianos — a casa, o cuidado, os objetos, as flores, os gestos repetidos entre gerações — aparecem como parte de um universo feminino aprendido dentro das relações familiares. Mesmo quando há consciência crítica sobre a rigidez desses papéis, eles permanecem inscritos nas lembranças e nos afetos: nas avós, tias e mães que cuidam da casa e ensinam o valor das coisas.

Assim, a série se constrói como um espaço de experimentação — tanto formal quanto pessoal — no qual fragmentos de imagens, memórias e materiais são reorganizados para pensar o feminino como um território complexo: feito de imposições sociais, afetos, aprendizados e relações entre mulheres.